Planeamento fiscal antes do fecho do ano: 5 regras para as empresas

Dezembro é o último mês em que ainda dá para mexer no resultado fiscal do ano. Com uma estimativa do lucro na mão, a empresa pode decidir compras, ajustar o último pagamento por conta e preparar 2027 sem surpresas.

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1. Faça uma estimativa do resultado do ano

Peça à sua contabilista uma estimativa do lucro até ao fim do ano, com os números de janeiro a outubro e o que ainda vai faturar e gastar. É a base de todas as decisões de dezembro.

Com essa estimativa sabe quanto IRC vai pagar sobre 2026: 15% sobre os primeiros 50.000 € de lucro nas PME e 19% sobre o resto. Sabe também se os pagamentos por conta já feitos este ano chegam.

Exemplo

Uma empresa prevê 30.000 € de lucro em 2026. O IRC estimado é de 4.500 € (15%), a que se soma a derrama municipal, se o concelho a cobrar.

2. Antecipe as compras que já ia fazer

Uma compra feita até 31 de dezembro conta para este ano. Se ia trocar de computador ou de telemóvel, ou comprar software, em janeiro, comprar em dezembro reduz já o lucro de 2026. Só faz sentido para compras de que a empresa precisa: comprar só para pagar menos imposto quase nunca compensa.

Os bens até 1.000 € podem ir para gasto de uma só vez no ano da compra. Acima desse valor, o custo é repartido por vários anos e, numa compra feita em dezembro, conta pouco em 2026. Veja as amortizações explicadas de forma simples.

3. Confirme as faturas e junte os documentos

Consulte no e-fatura as faturas emitidas com o NIF da empresa e confirme que todas chegaram à contabilidade. Uma despesa da empresa com uma fatura em nome pessoal não conta como gasto. Veja o que uma fatura tem de ter e que despesas são dedutíveis.

Aproveite para juntar o que costuma faltar no fecho:

  • Extratos bancários de todas as contas da empresa até 31 de dezembro.
  • Faturas de seguros, software, telemóvel e deslocações.
  • Contratos novos do ano (arrendamento, leasing, empréstimos).
  • Mapas de deslocações e ajudas de custo.

4. Decida o terceiro pagamento por conta

O terceiro pagamento por conta vence até 15 de dezembro. Se os dois primeiros pagamentos já cobrem o IRC estimado para 2026, a empresa pode não o fazer. Se cobrem só uma parte, pode pagar apenas a diferença.

A decisão tem de assentar numa estimativa atualizada. Se, no fim, ficar por pagar mais de 20% do que seria devido nesse terceiro pagamento, há juros compensatórios. Veja os pagamentos por conta de IRC.

Exemplo

Com base no IRC do ano passado, a empresa tem três pagamentos por conta de 1.600 €. Em julho e setembro pagou 3.200 €. Se o IRC estimado para 2026 for de 4.500 €, faltam 1.300 €: em dezembro pode pagar 1.300 € em vez de 1.600 €.

5. Prepare 2027: lucros, salário e subsídio de refeição

Antes da aprovação de contas, decida quanto do lucro fica na empresa e quanto sai em dividendos. O lucro que fica na empresa reforça o capital e permite deduzir uma parte ao lucro tributável durante sete anos, através do ICE. Os dividendos pagam 28% de IRS. Veja como pagar menos IRC deixando os lucros na empresa.

Reveja também o salário do sócio-gerente e o subsídio de refeição para 2027. O salário mínimo deve subir para 970 € em janeiro. O subsídio de refeição não paga IRS até 6,15 € por dia em dinheiro ou 10,46 € em cartão (valores de 2026). Veja o salário do sócio-gerente em 2027.

Dica da equipa

Marque connosco uma reunião na primeira quinzena de dezembro, antes do prazo do terceiro pagamento por conta. Traga a lista do que pensa comprar até ao fim do ano e o que decidiu sobre os lucros. Depois disso, o passo seguinte é o fecho de contas e a IES.

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Este artigo tem caráter informativo e não dispensa aconselhamento profissional. Os valores e as regras são os que estão em vigor à data de publicação e podem ser alterados.

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